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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Anjo da Guarda 1

Anjo da Guarda

Quando pensei que as portas se me fecharam,
Vislumbrei ao longe uma passagem.
Eu não a vi, mas logo me avisaram
E um anjo da guarda pôs-me na outra margem.
Mandado por um Deus,
Um enviado dos céus,
Uma das portas me abriu
E assim a sorte não me fugiu.

Meu Anjo da sorte,
Agora sinto-me forte.
Meu Anjo da guarda,
Que dos males me resguarda.

Sinto-me muito indefesa
Colhendo flores à beira do rio.
Vislumbro toda a pureza
Dos meus gestos sem desafio.

O meu Anjo por traz me guarda
E zela pelo meu bem.
O meu destino salvaguarda
Com as cores que o mundo tem.

O bem e o mal acontecem
Sem eu me aperceber.
As vivências permanecem
E eu só as entendo depois de crescer.

Februari 20, 2009
Aline Matos

Anjo da Guarda 2

Anjo da guarda 2

Quantas horas tem um dia?
-Pergunto eu, -Quantas tem?
Ao viver o dia a dia
Afinal quantas o dia contém?

Um Anjo da guarda me disse
Para não pensar nesse caso
E tudo o que eu ouvisse
Não comentar ao acaso
Todas as horas vividas
Seriam minhas por bem.
E todas as que fossem sonhadas
Fariam parte também.

O meu anjo avisou,
Instruiu, acautelou.
Do meu destino tratou.
Na verdade ele falou.

O meu Anjo da guarda guardei,
Da melhor maneira que sei.
Só mais tarde me apercebi
E então uma mensagem ouvi.

Fazendo parte do mundo
Em turbilhão ouvi e vi.
Quase como um moribundo
Esta mensagem aprendi.

Fazemos parte dum todo.
O sonho e o real à mistura.
Uma mistela de lodo
Com a verdade como leitura.

Februari 20, 2009
Aline Matos

Anjo da Guarda 3

Anjo da Guarda 3

Sou eu meu Anjo, sou eu.
Tens estado adormecido?
Por onde tens andado que não te tenho sentido?
Meu Anjo que quando nasci me apareceu.

Dá-me o tempo prometido,
Dá-me o meu lugar cativo,
Dá-me o que me é devido,
A lei natural, o motivo.

E se não me quiseres dar
E se eu já não for digna, não prestar,
Peço perdão por pensar
Que sou integra. Vou-me aquietar.

Mei 12, 2009
Aline Matos

As páginas da minha vida

Quantas páginas a vida contém?
Quantas páginas tem o meu viver?
Uma incógnita que advém
Das folhas que ainda me restam ler.
Tudo o que aqui está gravado
É o passado, o presente e o futuro.
Não pode ser apagado.
Adivinhar o fim é prematuro.
Desfolhamos as páginas passivamente.
Nada pode ser alterado.
Lemos o livro em forma crescente
Num tom pormenorizado.
Vivências que ficam na nossa memória, eternamente.
31 Jan. 2011
Aline Matos

Almada, gentil cidade, que me fugiste

Almada, gentil cidade que me fugiste
No meio do meu percurso, descontente,
Ficando na outra margem eternamente
E eu noutra cidade, para mim sorriste.
E se daqui me sinto, longe de ti,
Memórias de outros tempos me consentes,
Nunca te olvides que em tempos ardentes
Contigo cresci e em ti aprendi.
E se eu puder ocultar-te
A saudade que me marcou
Da dor, sentimento que pus aparte,
Que o destino a nós separou,
E que eu te reveja na minha arte
Remeniscência que me ficou.
Aline Matos
07/03/2009

O Lobo

Nenhum lobo uivou.
Ele ergueu a pistola e apontou.
O silêncio continuou
E ele, três tiros disparou.
Foi à janela, observou.
Alguma reacção ele procurou.
Mas nada.... foi o que encontrou.
Então à indiferença ele se entregou.
Um grupo de pessoas passou.
Ele apontou a pistola e disparou.
Sabe que em alguém ele acertou.
Sabe que finalmente matou.
Ninguém viu o que se passou
Nem nunca ninguém comentou.
Mas um dia o lobo uivou
E ele soube que a sua hora chegou.
Aline Matos
30/03/2001

O Tejo



Numa clareira coberta de Sol
Canta uma ave trinados de ouro.
É pequenino, um rouxinol,
Tão pequenino, quase um tesouro.

O rio estende seus braços alados
E abraça o pequeno tesouro.
E então, os dois inebriados
Comunham o tempo vindouro.

Na incógnita do ser, saíram fluídos conturbados que se organizaram poeticamente. As cores misturaram-se e assim se criou algo. Como num turbilhão em espiral se fez organização natural. O prazer misturou-se, fundiu-se e assim nasceu mais um planeta, mais uma vida, mais um cometa...
E toda esta incógnita persistiu, para sempre no tempo e no espaço.
A Natureza riu-se de tanta petulância e mostrou que estava descontente.
Mas o rio e o rouxinol, nessa clareira coberta de Sol, esqueceram o mundo alheio e em abraços poéticos continuaram.

Aline Matos
(escrito muito tempo antes e um pouco hoje)